Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
27/02/19 às 11h41 - Atualizado em 28/02/19 às 17h24

Combate ao racismo faz parte da campanha da Sejus neste Carnaval

COMPARTILHAR

Foto: Geolando – Ascom/Sejus

 

A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus/DF) promove neste Carnaval campanha voltada à garantia dos direitos humanos, que tem como um de seus motes o combate ao racismo. Com os lemas “Xô, racismo”, “Preconceito? Tô Fora!” e “Tire a máscara do preconceito”, a Sejus vai contar com um ponto para receber denúncias, realizar atividades pedagógicas e distribuir bottons e pulseiras para a população durante a festa.

 

Segundo o secretário da Sejus, Gustavo Rocha, o tema da campanha este ano será o combate ao “blackface”, que é a representação de personagens negros, satirizando e ridicularizando de modo extravagante a população negra, a exemplo da fantasia de “negra maluca”, muito comum no Carnaval.

 

“Nós falamos em racismos. A ideia é que essa campanha informe ao folião que ele pode pular o Carnaval de forma pacífica e sem agredir a cultura que construiu o país. Essa questão do “blackface” e da negra maluca tem cunho pejorativo e precisamos acabar com isso. É possível se fantasiar de diversas coisas sem praticar racismo”, explicou.

 

Em conjunto com a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) e a Defensoria Pública, a Sejus terá um ponto de apoio durante o Carnaval para receber denúncias e realizar atividades pedagógicas.

 

Na avaliação do subsecretário de Direitos Humanos, Juvenal Araújo, a ação de conscientização e políticas eficientes de prevenção da violência são muito importantes para garantir o direito à vida e à segurança da população negra no Brasil. “Racismo ocorre todos os dias do ano. Ainda somos minoria política e não temos acesso às mesmas oportunidades que as pessoas não negras. Durante o Carnaval, o número de casos de racismo só aumenta. Por isso, queremos alertar as pessoas sobre as diversas vertentes do racismo e a importância de denunciá-las”, explicou.

 

De acordo com dados do Ministério Público do DF, as denúncias de racismo estão crescendo. Apenas entre 2010 e 2016, o aumento foi de 1.190% na capital. Nas ações penais, 7% são por crime de racismo e os demais são por crime de injúria racial.

 

Homicídios

 

Dados do Atlas da Violência de 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que os negros, especialmente os homens jovens, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil. Em 2016, a taxa de homicídios da população negra foi duas vezes e meia superior à de não negros (16% contra 40%). Entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%. No mesmo período, a taxa entre os não negros teve uma redução de 6,8%. De acordo com o levantamento do Ipea, as maiores taxas de homicídios de negros encontram-se nos estados de Sergipe (79,0%) e do Rio Grande do Norte (70,5%).