Governo do Distrito Federal
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31/12/19 às 12h03 - Atualizado em 31/12/19 às 12h03

Sejus participa de debate com entidades do movimento negro sobre sistema de cotas

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Entidades representativas do movimento negro brasileiro, de povos tradicionais e defensores da educação pública discutiram sobre os riscos de uma eventual extinção do sistema de reserva de vagas em universidades para negros, indígenas, quilombolas e egressos da educação pública pelo governo federal. A roda de conversa foi promovida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em alusão ao Dia da Consciência Negra (20/11).

 

O subsecretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus/DF), Juvenal Araújo, esteve presente na reunião devido à carreira dedicada à igualdade racial. Ele já foi secretário Nacional de Políticas de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o mais alto cargo do segmento no País.

Para Juvenal Araújo, as pesquisas até mostram avanços, em nível nacional, sobre a quantidade de negros nas universidades. Porém, acredita que o governo federal usará os dados como justificativa para acabar com as cotas. De modo geral, afirma Juvenal, a meta de 50% das vagas das instituições públicas de ensino superior e técnico, em todo o Brasil, destinadas à população negra ainda não foi batida.

 

Considerando, diz ele, que alguns alunos até entram, só que não encontram formas de se manter no ensino superior devido ao racismo e ausência de políticas públicas de suporte e manutenção. Ele defende que além da manutenção das cotas, as políticas precisam ser ampliadas para proporcionar a entrada e permanência nos cursos.

 

“O Brasil ainda não está pronto para eliminar o sistema de cotas. Foram 300 anos de escravidão, até que em um 13 de maio os escravos foram libertados. Sem qualquer dinâmica de reparação ou estratégia de inclusão. Até hoje, 131 anos depois, a população negra brasileira ainda vive o 14 de maio. O dia seguinte da promessa de liberdade e igualdade nunca alcançada. O racismo dificulta sonhos e as cotas precisam ser mantidas até eliminarmos a desigualdade social no País”, disse o subsecretário.